Mil Pássaros resulta de uma co-produção entre a CMT e a Casa das Artes de V. N. Famalicão. Seguindo o rasto dos projetos Opus Tutti e Germinarte implementou-se um conjunto articulado de ideias que combinam a fruição artística com a formação e o envolvimento da comunidade.

Procurando sensibilizar para questões ambientais, para a necessidade de cuidado com os outros e com o planeta, Mil Pássaros é um projeto global sobre questões que não conhecem fronteiras e que urge abordar desde a primeira infância. Desenvolve experiências musicais e artísticas extensivas a toda a comunidade, procurando promover o diálogo entre famílias e estabelecer bases educativas para resultados a longo prazo. A constelação desenvolveu-se a partir da peça-base Orizuro, cujo material  conceptual, musical e plástico se expandiu para um conjunto mais vasto de iniciativas.

“Orizuro” é nome de pássaro. Ou melhor, de um origami que representa um pássaro. O orizuru na cultura tradicional japonesa é um símbolo de felicidade e na segunda metade do século vinte, após a bomba de Hiroshima, tornou-se num ícone do desejo de paz. Torna-se cada vez mais importante chamar a atenção para a necessidade de preservarmos o mundo em que vivemos e há muitas formas de o fazer.

Ensinar a olhar e escutar de forma poética é certamente uma das que faz falta e deve ser promovida desde que nascemos. A ideia de “afinação” tem estado presente em grande parte dos trabalhos da CMT, que tem usado o termo para se referir à procura, através da experiência artística, da afinação das pessoas com o que as rodeia. São esses os “pássaros” que Orizuro procurar revelar ou construir. Todos os pássaros, os reais e os imaginários, os das histórias, da poesia, da música.

Numa situação de implementação integral da Constelação Mil Pássaros o trabalho inicia-se com uma ação de formação que explora um conjunto de ideias e materiais de natureza sonora e visual. Os educadores são convidados a prosseguir o trabalho com as crianças e respetivas famílias, de cada escola participante, através da criação de uma “instalação”. Esta “instalação” é um objeto cénico preparado para ser “ninho” onde nascem pássaros – os pássaros da imaginação de cada criança guiada pelos seus Pais e educadores. Profissionais e Pais são assim chamados a contribuir ativamente na intervenção artístico-educativa deste projeto, preparando a chegada da peça-satélite, PaPI – Opus 8, uma “performance” a solo e de natureza portátil que é apresentada nas escolas. O projeto culmina com um conjunto de atividades que decorrem no espaço cultural, nomeadamente a construção de Inúmera Mão. uma instalação global que resulta dos contributos recolhidos nas várias escolas, a apresentação da peça-base Orizuro, uma “performance” com três intérpretes, e uma “conferência-performance”, A Conferência dos Pássros,  que funciona também como um espaço de encontro e reflexão com a comunidade.